Curitiba terá novo confronto entre servidores municipais e vereadores na segunda-feira?

26/11/2018 - 14:30

Nesta segunda (26) vai à plenário o reajuste dos trabalhadores, congelado desde 2016. Na mensagem enviada aos vereadores, prefeito oferece apenas 3% de reajuste.

Desde que assumiu, a relação do prefeito Rafael Greca (PMN) não é das melhores com os servidores municipais. O gestor escolheu investir os recursos da cidade para asfalto e ações em zeladoria. Parte das verbas para essas políticas saíram do congelamento dos vencimentos e carreira do funcionalismo. Com o chamado “Pacote de Maldades”, também conhecido como “Plano de Recuperação”, Greca empurrou para a Câmara Municipal a tarefa de subir impostos, aumentar alíquotas dos trabalhadores na sua previdência e instituto de saúde. Essa relação, que não teve mediação do Executivo, acirrou os ânimos em 2017 com ocupações do Palácio Rio Branco, greves, uso de força policial e votação dos projetos na Ópera de Arame. Há, portanto, uma fissura entre sindicatos, legislativo e executivo, sendo que o prefeito e os governistas sempre questionam a legitimidade das entidades (eleitas também) sindicais.

Essa disputa é novamente colocada em cheque na próxima segunda-feira, 26. Nessa data vai à plenário o reajuste dos trabalhadores, congelado desde 2016. Portanto, há 31 meses. Na mensagem enviada aos vereadores, o prefeito considera parte desse período, mas acaba oferecendo apenas 3% de reajuste. “ A concessão de reajuste salarial aos servidores municipais, com a proposição de um índice que não oferece riscos ao saneamento das contas públicas que vêm sendo efetivados nesses 22 meses de Gestão”, explica o prefeito, omitindo que o reajuste que ocorreria em 2017 também devia contabilizar os meses de 2016, quando ocorreu a última reposição.

Já os sindicalistas querem receber pelo período integral que estão com salários defasados. O que dá, na conta do DIEESE, quase 10%. Para isso, com o intermédio dos vereadores da oposição, especialmente a professora Josete (PT), apresentam emendas para atingir esse percentual.  Os representantes dos trabalhadores ainda tentam combater a terceirização via contratação por PSS (Processo Simplificado) e a extinção da licença-prêmio.

Embate

Alguns fatos novos no último ano devem mediar a relação entre os vereadores, Greca e os servidores. O primeiro deles trata da mudança na representação dos trabalhadores. O Sismuc trocou completamente sua direção. O novo grupo que assumiu está atrelado à direção do Sismmac, que é o sindicato do magistério. Com o discurso de união e mobilização das entidades, saiu a CUT e a Intersindical conquistou hegemonia em Curitiba. Agora o desafio é levar trabalhadores e trabalhadoras para as ruas em defesa de um reajuste maior. Uma adesão baixa a paralisação convocada por ambas entidades é sinal de que o discurso eleitoral de “abandono da base” era apenas retórica e que outros fatores são responsáveis pelo distanciamento da categoria da luta.

Sindicatos se reuniram com secretários para discutir índice final de 3%. Foto: Chico Camargo/CMC

Ao contrário de 2017, os dirigentes sindicais se reuniram com os gestores municipais, com os secretários e tiveram mesas de negociação com os vereadores. Houve menos barulho e reuniões. Tanto que a Câmara Municipal não deve organizar esquema de segurança especial para aprovar o projeto em primeiro turno.

Já o prefeito Rafael Greca deve consolidar sua força no município. A votação sequer chega a ser um teste para sua liderança. Esse embate pode vir a acontecer na votação da bilhetagem eletrônica, que pode demitir os cobradores da cidade. Greca ainda pode ter ao seu favor a votação da mesa diretora da Câmara Municipal e a escolha do líder do governo para 2019. Com esse cenário, é bem possível que o prefeito tenha aliados ferrenhos em nome dos 3%.

Previsão
Com a base consolidada e sem oposição numerosa, sem os embates do ano passado e com a categoria não mobilizada e unificada como prometeram  direções sindicais, o projeto do reajuste deve ser aprovado na Câmara Municipal na segunda-feira. As perdas salariais devem entrar na conta das “perdas históricas” a serem debatidas em um governo mais progressista ou quando Greca precisar dos servidores públicos para se reeleger.